
Se a intenção era desafogar o trânsito de veículos de grande porte nas áreas centrais, o resultado é devolver os usuários de fretados aos seus carros ou ao transporte público. Ora, a existência de fretados, uma iniciativa interessante da sociedade civil para diminuir problemas de custo e deslocamento, revela a inoperância dos transportes públicos [veja mapa da situacao dos fretados].
Não é de hoje que o planejamento urbano de nossas cidades privilegia ações e projetos em benefício do automóvel em detrimento dos transportes coletivos e públicos. Não fosse assim, não haveria tantas obras de novos viadutos e túneis nos últimos anos em São Paulo. Recentemente voltou-se a discutir a ampliação das faixas das marginais, mais uma vez pensando no trânsito de automóveis. São milhões e milhões investidos em obras de asfalto.
Seria necessário parar por décadas com os investimentos em ruas, avenidas, túneis e viadutos e destinar recursos para o transporte público. Seria necessário que os usuários de carros percebessem a precariedade das ruas ao passo que pudessem usufruir de transporte público de qualidade. Não acredito que a questão possa ser solucionada com o atual estado de coisas – político, social, educacional, econômico. O caos urbano em São Paulo é parte de sua natureza de anti-cidade. Afinal, São Paulo não é mais uma cidade.