quarta-feira, 17 de junho de 2009

espaço urbano e cultura

O que há de errado nessa foto? A pichação lá no alto, na parede de tijolos? A pichação no portão e portas de enrolar? O lixo acumulado num canto da calçada? O carro estacionado na calçada? Sim, todas as respostas anteriores e mais um monte de coisas. A calçada de menos de um metro de largura, as construções sem recuo de frente, o ponto de ônibus [dá pra ver o ponto de ônibus?], a sujeira generalizada. Está tudo errado!

Não me estranharia que muitas pessoas não conseguissem enxergar nada de errado nessa foto. Sim, porque estamos tão acostumados com esse padrão urbano, com esse tipo de situação, que acabamos não vendo mais nada, não enxergando isso como um problema.

Agora, você vai me dizer que isso é na periferia, que as cidades brasileiras não são todas assim. São sim, todas as cidades brasileiras são assim. Ou até piores do que isso. O que temos são ilhas de excelência, lugares, pedaços da cidade em que se tem um mínimo de desenho urbano, de cuidado com o planejamento. Claro, esses pedaços acabam virando cartões postais. Sabe onde tirei essa foto? Na avenida do Cursino, no Ipiranga, São Paulo. O Ipiranga é um bairro bom, perto do centro da maior metrópole do país. Imagina a periferia da cidade. Não tenho dados concretos, mas posso apostar que no mínimo 70% do tecido urbano da cidade de São Paulo tem uma ocupação como esta ou pior.

E aí tenho outra pergunta. Cidade é cultura? E essa eu respondo rápido: sim, é cultura. Mas como todo o resto da cultura no Brasil está em estado de calamidade. Aí você vai dizer que cultura é tudo aquilo que define nossa identidade. Pois é, esta maneira de ocupar a cidade é um pouco de nossa identidade, herança dos portugueses, que ocuparam nossas encostas e morros desenhando ruas tortuosas com uma intensa relação de proximidade com as casas. Mas o estado em que se encontra essa ocupação, o estado de degradação, de descaso, isso também esta se tornando parte de nossa identidade.

O grande problema é que este padrão urbano, essa cara de cidade é a cara das cidades brasileiras que já não enxergamos mais porque crescemos no meio disso, convivendo com isso, vendo isso como se fosse natural. Gostaria que isso mudasse, que nossa cultura urbana pudesse ser valorizada, preservando seus valores positivos, mas enquanto tivermos olhos só pras ilhas de prosperidade de nossas cidades que nada tem a ver com nossa cultura, nada vai mudar.

terça-feira, 16 de junho de 2009

hi: real human interface



Muito bom! A coisa foi criada pelo coletivo multitouch de Barcelona que está desenvolvendo o que eles chama de Natural Interaction Project. Há outros trabalhos muito interessantes também, merecem uma espiada.

Caso não consiga ver o vídeo, siga por aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Gjd7rtlu5bU

segunda-feira, 15 de junho de 2009

feriado

O bom dos feriados é poder ficar sem ler os jornais, sem ver televisão, sem escutar noticia nenhuma e aproveitar pra curtir a família, ler um bom livro, tomar um sol quando ele pinta, correr um pouco, comer coisas diferentes, ficar de papo pro ar.

O ruim dos feriados é hora em que eles terminam e é preciso voltar pra mesma rotina e descobrir que nada mudou, as notícias são as mesmas, nada se resolveu, talvez o mundo tenha ficado um pouco pior e ainda há tantas coisas por fazer.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

home project



Home é um belo projeto que resultou num filme de Luc Besson. Será lançado em 87 paises em 14 línguas diferentes. É longo, cerca de 1 hora e meia, mas vale a pena assistir. As imagens são belíssimas.
Ficará no youtube até dia 14 de junho. Assista o filme aqui: http://www.youtube.com/homeproject
Visite o site: http://www.home-2009.com/us/index.html

terça-feira, 9 de junho de 2009

o limite dos olhos

I-Movix Sprintcam v3 sample shots from David Coiffier on Vimeo.


É impressionante o que se pode fazer com uma câmera nos dias de hoje. E pensar que a reprodução de imagens em movimento captadas por lentes e câmeras e impressionadas em películas tem em torno de 120 anos. Começou com os Irmãos Lumiére. Essas imagens em câmera super lenta, coisa de 1000 FPS ou mais revelam coisas que nossos olhos jamais poderiam sonhar em ver. Dão aos nossos olhos uma certa tatilidade, parece que os olhos tocam cada detalhe de um movimento jamais visto. Confirma a teoria dos formalistas de que o inusitado, o nunca visto, faz perdurar a recepção aumentando a qualidade da percepção. Vai dizer que não parece que se está tocando aquela gelatina com os olhos?

a greve acabou

Terminou a greve dos servidores municipais de Campinas. Foram 20 dias de greve. Segundo eles mesmos, o movimento foi vitorioso. Não sei, não. Conseguiram apenas o que a prefeitura ofereceu, dias atrás. E não se fala mais nos 56% de aumento no salário do prefeito.

Campinas não tem, hoje, oposição. A bancada dos vereadores apóia o prefeito, é situação. Há pelo menos uma exceção, o vereador Artur Orsi, do PSDB. Artur se coloca acima do partido. É homem íntegro, conhece a cidade, tem interesses genuínos por Campinas, atua ativamente na câmara municipal. Vamos procurar saber sua posição sobre o aumento do prefeito.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

AF447

Muito difícil falar do acidente do Air France 447. Tive que deixar ppassar um tempo pra assentar o impacto, pra organizar os sentimentos, as idéias. Qualquer acidente aéreo é bastante trágico, a violência do impacto muito grande, as conseqüências quase sempre fatais. Nesse caso o mais chocante era, até agora, o desaparecimento do avião. Não havia qualquer vestígio, nenhum traço de nada relacionado ao avião. Um acidente já é difícil de encarar, agora um acidente que não deixa nenhum sinal, sumiu, evaporou, nada! Finalmente encontraram alguns corpos e algumas coisas.

Confesso que tenho acompanhado pouco as notícias sobre o acidente. Fico sabendo de coisas pela Bia. Ela me contou de um casal que viajou separado, cada um com um dos filhos. Acho que mãe e filha estavam no AF447. Bia me perguntou se eu faria isso, caso viajássemos com nossos filhos. Não sei, acho que não. Fiquei pensando que se eu ficasse vivo seria tão difícil encarar a morte de parte da família, tão difícil suportar que perdesse mãe e irmão(s) que preferia que estivéssemos todos juntos. Perguntei se ela gostaria de ficar, viva, nessa situação. Expliquei meus sentimentos. Ela pensou um pouco e concordou comigo.

O fato é que toda viagem envolve riscos. Por mar, ar, terra, motorizado, a cavalo, de bicicleta, a pé. Não importa. Empreender uma viagem envolve riscos. Riscos conhecidos. Impossível saber se o risco se confirmará.

Sempre gostei muito de viajar de avião. Nunca tive medo. Até que me tornei pai. Mas isso não me impediu de continuar viajando. Apenas acrescentou um dado novo. Agora, toda vez que entro num avião tenho consciência dos riscos e enfrento o medo.