sexta-feira, 5 de junho de 2009

a história das coisas

The story of stuff, uma animação muito boa sobre a cadeia produtiva que alimenta o consumo.

Há uma versão dublada no youtube, parte 1 e parte 2. Recomendo assistir o vídeo no próprio site [clique na imagem acima] por que lá é interativo. Há muito mais coisas no site.

Não vou dizer que vou deixar de consumir, mas que é possível maneirar um pouco, isso dá. Os EUA são realmente grandes vilões nessa cadeia, mas nós seguimos o mesmo modelo. E quanto a consciência da perversidade de todo o processo e as novas maneiras de encará-lo, bem aí é outra história. Acho que há algo a caminho, mas longe ainda de ser algo efetivo. Quem está envolvido com crianças tem responsabilidade redobrada.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

publicidade na tv

[leia mais aqui]

comunicação à brasileira

Num país em que a fronteira entre certo e errado, entre bom e ruim, entre qualidade positiva e negativa, num país em que os valores são todos pervertidos e o conceito de ética é apenas um borrão nebuloso, jornalismo independente é artigo de luxo. Acho que se há exceções significativas, estas estão no rádio. Jornais impressos chegaram a tal ponto que a leitura nos fins de semana ficou completamente comprometida. Perdi a paciência com a Folha de São Paulo e contei quantas páginas de anúncios tinha a edição de domingo: 70% do jornal. Perdidas no meio de lançamentos imobiliários, era quase impossível encontrar as notícias que se transformaram em notas, adereços, penduricalhos ao conteúdo principal: mercado imobiliário. Escrevi ao ombudsman da época com os dados e disse ele que eu não era o único incomodado, mas que essa era a tendência do jornalismo no Brasil. Claro que jornais sérios pelo mundo não sucumbem a interesses meramente monetários, pois têm princípios que os impedem de se venderem antes de vender informação, razão de sua existência. Desisti da Folha. O concorrente, O Estado de São Paulo é um pouco melhor. O que salva os jornais são seus articulistas.

As revistas não ficam atrás. Ter que engolir a Veja como a grande formadora de opinião é demais. Falar de informação tendenciosa é pouco quando se trata de Veja. Eu não acredito na idoneidade do que se escreve por lá. Claro, assim como nos jornais, nas revistas há gente muito boa, especialmente os articulistas. Mesmo assim, raramente leio revistas.

Televisão então, nem se fala. Há tempos não assisto os canais abertos, Globo, Bandeirantes, SBT, Record. Nem a TV Cultura assisto mais. Acho que já assisti minha cota de Rede Globo pelo resto da vida, foram anos assistindo a novelas, agüentando o Galvão Bueno e o Jornal Nacional. Sinto arrepios só de escrever isso tudo. Novelas não são apenas o retrato do Brasil, mas estabelecem padrões culturais que se sedimentam com muita força. Um absurdo em se tratando de um país tão desigual quanto o nosso. E o jornalismo da Globo é dos mais tendenciosos, noticiam o que querem, como querem, segundo interesses próprios dos mais diversos. O casal-âncora, que por sinal também tem trigêmeos [sempre digo que a diferença entre a família deles e a nossa é apenas da ordem de 6 zeros], me parecem dois bonecos ventríloquos, tão durinhos são. Programas de domingo, então, nem se fala. Nunca vi coisa de tão baixa qualidade. Não agüento ver Gugu, Faustão, Hulk, Luciana, Galisteu e outros da mesma estirpe. Se essas são as pessoas influentes em nossa cultura, estamos mal.

Já virou jargão dizer que a qualidade de nossa produção televisiva é excelente. Eu acrescentaria apenas uma palavra para concordar com a afirmação: técnica. A qualidade técnica de nossas produções televisivas é muito boa, mas o conteúdo, nem tanto. E haja paciência pra tanto merchandising. Às vezes zapeio pelos canais e não consigo ficar mais que um minuto assistindo a essa massa de desinformação. O volume de conteúdos pobres é tão grande e tão rasteiro que me deixa extremamente incomodado. Vejo uma relação entre, por exemplo, violência e programas de auditório. Acho que daria uma boa tese de doutorado em sociologia. Aliás, tenho certeza que algumas foram e outras estão sendo escritas sobre o assunto.

Antes que alguém me acuse de alienação, digo logo que antes alienado que dragado pela miséria televisiva que nos assola. Antes que me chamem de elitista, digo que, ao contrário, elitista é nossa imprensa, que escreve sempre sob o mesmo ponto de vista, de uma minoria com privilégios, mas nem por isso esclarecida. A opção de me privar dessas coisas é pra me preservar, por que me faz muito mal.

Acho que já faz 4 anos que não vejo canais abertos e mais ainda que não leio revistas. Jornal, de sexta a segunda, só. Isso, mais um pouco de rádio, documentários, filmes e programas esportivos me satisfazem completamente. Ficar por fora disso tudo que é o retrato do Brasil não me faz falta. Vivo isso todos os dias quando saio às ruas. Ao contrário, não ver a cara do Brasil na televisão e nas revistas me faz muito bem. [leia mais aqui]

a greve continua

A greve prossegue. O blog dos servidores se transformou numa grande ferramenta de comunicação, não só entre os servidores, mas entre eles e a população da cidade.

Duas pequenas notas:

1] Achei no blog a explicação para cobertura ridícula que a greve vem tendo em toda a mídia campineira: a prefeitura é um dos maiores clientes dos canais de TV, jornais e rádios locais, com mais de 30 milhões gastos em publicidade. O post merece ser lido.

2] A prefeitura tenta ignorar a greve, o portal na web não tem uma nota sequer sobre a greve. Parece brincadeira, mas não é.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

greve dos servidores de Campinas continua

[foto Carlos Bassan/AAN]
A greve dos servidores completa hoje 15 dias. E o dia de ontem foi marcado pela violência da Policia Militar e da Guarda Municipal. Os guardas municipais são servidores que partiram pra cima dos colegas depois de um incidente sem importância, uma porta de vidro quebrada no Paço Municipal. Além da incompetência para negociar, a prefeitura agora apela para a violência. Policiais da Guarda usaram g’as de pimenta e levantaram seus cacetetes contra os servidores.

Os servidores estão firmes em suas posturas. Não devem esmorecer. Só o fato dos 56% de aumento no próprio salário já seria motivo suficiente para que toda a população da cidade saísse em passeata ao lado dos manifestantes. A população tende a esquecer disso à medida que a greve perdura, por que os manifestantes, sabiamente, sabem se organizar para chamar a atenção.

Afinal, não há o que possa colocar limites nas arbitrariedades do prefeito? o prefeito contrata parentes e nao ha quem possa impedir isso? Quem aprovou o reajuste de 56%? A Câmara de Vereadores? E quem pode desaprovar? A desaprovação dos servidores e de grande parte da população não basta para por fim ao governar em causa propria e ao nepotismo na prefeitura de Campinas?

Acompanhe a greve no blog dos servidores e no blog Diálogos Políticos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

linha de passe

Segunda-feira é dia de Linha de Passe, no canal ESPN Brasil. No grande deserto de mesmice da TV brasileira é o grande programa esportivo no Brasil e um dos melhores programas de toda a TV brasileira. Jornalismo independente de primeira linha. Também, pudera, o editor chefe da ESPN Brasil é José Trajano, figura de respeito quando se trata de jornalismo de qualidade. E a equipe titular do programa, comandada pelo imparcial João Palomino, é composta pelos venerados veteranos e grandes do jornalismo como Juca Kfouri, Fernando Calazans e Marcio Guedes e pelo novo, porém não menor, Paulo Vinícius Coelho, o PVC. O banco de reservas superior é composto por Paulo Calçade e Mauro Cezar Pereira.

De todos, Marcio Guedes é o que acompanho a mais tempo, desde a Rede Manchete nos anos 80 [leia mais aqui]. O programa esportivo contava com seus comentários, era comandado pelo Paulo Stein, tambem na ESPN Brasil e tinha uma vinheta do David Sanborn. Trajano e Juca, eu já assistia no Cartão Verde da TV Cultura, quando o programa era bom. Juca é notável desde a Playboy e da Placar. Calazans conheci no Linha de Passe, assim como o PVC, o grande analista do futebol da atualidade. PVC trabalha com dados que antes não apareciam nas analises por estas bandas. Trajano, na minha opinião, é o melhor jornalista esportivo em atividade. Sua indignação e autenticidade, seu compromisso com a verdade são a marca registrada de um grande jornalista. Trajano é a encarnação da independência. Mas PVC também é muito, muito bom.

Na mesa redonda do Linha de Passe a conversa é franca, o debate aberto, todos podem expressar suas opiniões e críticas com liberdade e respaldo da emissora. Não tem rabo preso, não tem outro compromisso a não ser com a informação. O mote da ESPN Brasil é ‘informação é nosso esporte’.

Procuro acompanhar o programa todas as segundas, mas nem sempre é possível convencer a Bia, minha mulher, de que é a melhor opção naquele horário da TV. Acho que é o que há de melhor na TV. O tipo de programa que, depois que termina, a gente se sente revigorado, com as esperanças renovadas. De tanto vê-los e compartilhar as mesmas posturas e opiniões, acabo achando que sao todos meus amigos de longa data. Se você não conhece o programa, recomendo fortemente.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

greve em Campinas continua

A greve dos servidores em Campinas entra em seu décimo terceiro dia consecutivo, 13 dias corridos, 9 dias úteis. E a perspectiva é de que continue, uma vez que o governo municipal não acena com nenhuma proposta que mereça ser apreciada. Continuo dizendo que o prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio, deveria voltar atrás nos aumentos de 56% do seu salário e de salários do alto escalão. Pense bem, essa seria a única proposta digna de um homem que tem pretensões políticas maiores que a administração municipal. Mas como a dignidade entre os políticos é artigo raro, aposto que a greve prosseguirá por um bom tempo. Hélio deveria perceber que o ônus político de sua postura causará danos bem maiores do que ele está imaginando. A boa notícia é que há muito tempo não se presenciava uma greve tão longa na cidade.

Sugiro ao pessoal envolvido com a organização e articulação dos servidores que lancem alguma coisa para mobilizar a população. Algo que possa identificar quem está apoiando a greve, algo fácil e barato, que possa se espalhar rapidamente entre os cidadãos. Algo como uma fita de determinada cor na amarrada a antena dos carros, alfinetado nas camisas e camisetas. Algo como a fitinha vermelha da AIDS, sabe como é? Qualquer um pode fazer isso em casa e é fácil de fazer pra distribuir nos principais semáforos da cidade.

Para saber mais sobre a greve, os servidores organizaram um blog que contem todo o histórico da greve e todas as informações, inclusive a agenda dos próximos passos a serem tomados. Visite e deixe seu apoio: http://greveservidorescampinas2009.blogspot.com/